Bia on
Depois que ele saiu, voltei pra sala pra fazer o que ele mandou, eu estava magoada por ter escutado aquilo, mas ele tinha razão, eu era estranha, ninguém jamais olharia pra mim, maldita deficiência...
Terminei o que ele mandou, e ele ainda não tinha voltado, já era minha hora de ir embora, então ia trancar a central pra ir embora quando ele voltou.
- conseguiu terminar tortinha?
- Sim, já está pronto sobre sua mesa, mas, por favor sr Luan, eu não gosto que me chame assim...
- Não seja dramática, você é tortinha e pronto, já está na hora de fechar a central, disse na porta enquanto eu peguei minha bolsa.
- Tchau Luan, fique com Deus, até amanhã, o toquei de leve em seu braço pra me despedir...
Ele revirou os olhos e não me respondeu, então sai de cabeça baixa.
Eu fui caminhando devagar pra voltar pra casa, minhas pernas ainda doíam, o que me fazia mancar ainda mais, e, non=vãmente, vi seu carro passar, mas, dessa vez ele parou e abaixou o vidro, seria gentil me oferecer uma carona.
- Anda direito, se cair de novo, não vai ter ninguém pra te levantar, não seja tonta, falou e em seguida fechou o vidro na minha cara e foi embora.
Fui caminhando até em casa, amanhã seria um dia especial e eu me perguntava se alguém se lembraria do meu aniversario.
Em casa, apenas comi um sanduiche, tomei um banho e me deitei, estava exausta e meu corpo pedia cama, assim que deitei, literalmente apaguei, sem me lembrar de nada, acordei com o som do meu despertador e tratei de me arrumar bem rápido, escolhi a melhor roupa que eu tinha, um vestido azul marinho, uma sapatilha baixinha, pra não dificultar, coloquei um par de brincos e arrumei bem o meu cabelo, eu queria estar bonita, pois, no fundo, bem no fundo, eu ainda tinha esperanças de alguém se lembrar, tratei de me apressar pois não queria levar uma bronca no dia do meu aniversario, embora, se tratando de Luan, isso era praticamente impossível.
Chequei meu celular, e pra minha decepção, não tinha nenhuma mensagem, é, meus pais não se lembraram, desde a doença isso virou rotina, eles nunca me ligavam...
Peguei minha bolsa, tranquei a porta e fui andando o mais rápido que eu consegui pra meu trabalho, por sorte, ainda estava adiantada, então, passei na padaria e peguei alguns pães de queijo e um bolo de milho, eu não tinha tomado café, e sabia que Luan também não devia ter tomado, sabia o quanto ele gostava daquele bolo e resolvi levar.
Quando cheguei, por sorte, ele ainda não tinha chegado, então, deixei as coisas na cozinha, comi um pedaço de bolo e um pão de queijo rapidamente, e voltei pra minha sala, cinco minutos depois, Luan chegou.
- Bom dia Luan, tudo bem? Perguntei sorrindo quando ele olhou o calendário em sua mesa, ele ia se lembrar, pelo menos ele, foi o que pensei.
- Bom dia, disse num tom rude e não falou mais nada, merda, ninguém se lembrou.
- Eu passei na padaria vindo pra cá, tem bolo e pão de queijo na cozinha se quiser é aquele bolo que você gosta...
- Eu não quero nada.
- Tudo bem, digo de cabeça baixa, vai estar na dispensa se tiver vontade.
- Eu quero a relação que te pedi ontem, está pronta?
- Sim, em sua mesa, até organizei algumas notas que estavam sem destino.
- Tudo bem, o Rober está chegando e vou ficar na sala de reunião quando ele chegar, quero que resolva tudo por aqui...
- Tudo bem.
Logo, Roberval chegou e eles seguiram pra sala de reuniões, Luan, me ligou pedindo pra que eu levasse um café aos dois na sala, mas não desligou o telefone, então, acabei ouvindo o que eles diziam.
- Secretaria linda ein cara, onde arrumou uma dessas?
- Aquilo lá, eu quero é distancia, ela só tá aqui por que sou obrigado a cumprir cotas de deficientes na empresa, senão, já tinha dispensado faz tempo, criatura estranha...
- Ela pelo que vi, gosta de você, olha lá na cozinha, tem o bolo que você gosta patrão, não fala assim da menina...
- Eu não tô nem aí, larga de ser burro, ninguém gosta daquilo, pelo que eu sei, nem os pais dela... Falou e eu não aguentei, desliguei o telefone caindo no choro, eu era mesmo uma inútil...
Me levantei e peguei o café, levando até eles, mas, quando fui entregar a Luan, não consegui nem olhar pra ele, estava triste, minhas mãos tremeram e a xicara caiu no chão virando cacos, só me dei conta quando ouvi o grito enfurecido dele.
- SUA IDIOTA, OLHA O QUE VOCÊ FEZ.
- Me, me desculpa, foi sem querer, gaguejo nervosa.
- Você não serve pra nada não é? Não faz nada que preste, é impossível aturar você...
- Por favor, para, pedi em meio ao choro, não me trata assim não hoje, não nesse dia que era pra ser um dia feliz pra mim... pedi baixo e ele me olhou arregalado.
- o que tem demais hoje tortinha?
- é o meu aniversario, onde mais uma vez você faz questão de me humilhar, eu sei que não gosta de mim mas eu não tenho culpa, eu não posso mudar, falei e sai dali o mais rápido possível.
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